29 de novembro de 2007

a maior gafe da mamãe

(mãe, não fique chateada, mas coisas engraçadas mereçem serem contadas a quatro cantos)

Minha mãe fala demais. E como quem fala demais dá bom dia a cavalo, a Dona Gláucia (minha incrível progenitora) costuma dar bom dia a eqüinos com certa frequência.

A melhor de todas aconteceu em uma bela manhã de primavera em que fomos, eu e ela, buscar meu filho na escola. È importante comentar que a escola que meu filho estudava era a mesma que eu havia estudado durante longo tempo. Por isso Dona gláucia se sentia em um ambiente extremamente favorável pra exercer sua típica elouqëncia.

Encontramos no corredor a Rozana, que havia sido minha profesora, com a qual minha mãe quis puxar papo. Rozana estava bem gorda e com uma barriga avantajada e eis que minha mãe (sei que vcs já sabem o final da história) abraça a dita cuja e alisando a barriga da mesma pergunta em tom quase infantil: Como é que vai nosso neném??? (percebam que eu grifei a palavra nosso).

Na mesma hora eu quis morrer, sem exagero. Ela bem que podia ter me poupado de tal constrangimento.

Rozana, então, responde sem graça e fula da vida: Não é neném não, é gordura mesmo.
Juro que o mundo acabou pra mim naquela hora, o chão desmoronou, minha cara ficou parecendo um pimentão. O pior é que minha mãe continuou com a mesma cara lavada. E com a mesma desenvoltura de sempre pôs-se a comentar o quanto era difícil emagrecer, que ela também sofria com isso e blá, blá, blá....
De uma coisa estou certa: Dona Gláucia paga mico, mas não perde a compostura!!!!

Beleza diferente

Quando eu era criança, meu maior sonho era ser bonita. Olhava aquelas meninas do colégio, todas “certinhas", cabelo lisinho, olho azul, com a canela sem nenhum machucado e ficava me sentindo um monstrinho. Cabelo anelado era (e ainda é) execrado. Minhas pernas cheias de marcas de tombos (eu não era fácil), um ar desengonçado, tudo me fazia sentir mais feia. Não que fosse um sofrimento, crianças não sofrem a toa, mas era um incômodo, um desejo de ser igual à maioria.
Minha prima e melhor amiga, a Ju, era do time das bonitas, cabelo liso preto, olho azul, branquinha...parecia uma fada (até hoje). Um fatídico dia, eu caio na besteira de perguntar pra minha mãe se eu era bonita igual à Ju. (As mães sempre são responsáveis por traumas de infância, querendo ajudar, acabam fudendo o troço todo). Eis que minha mãe vem com a frase que ressoaria em minha mente por longos anos: Minha filha, você tem uma beleza diferente!!!
Fudeu tudo....beleza diferente para uma menina que queria ser igual era o fim.

Demorou muito pra eu perceber o que ela queria dizer (se é que tem desculpa uma frase desta...hehehe). Demorou, mas um dia eu descobri que meu cabelo anelado era bonito, quando mais sarará ele tivesse. Descobri que eu tinha um charme, bom papo, um corpo bacana e podia ser bonita sim. Não como as moças que normalmente estampam as revistas, não com escova definitiva e lentes de contato. Bonita como eu era........uma beleza diferente!

As mães acabam sempre tendo razão.

Obs: nada contra as moças normalmente bonitas, cada um na sua, inclusive continuo achando a Ju linda... e quando caio na besteira de comprar revista feminina me deparo com tantas beldades que volto ao meu tempo de escola e por milésimos de segundo (antes da razão entrar em cena) tenho a suprema vontade de ter uma beleza normal.

Obs 2: quando contei pra minha mãe deste “trauma”, estávamos a família toda reunida e tomávamos algumas biritas, caímos na gargalhada, malhamos muito a dona Gláucia e suas gafes impagáveis. Ela, no entanto, ficou tentando se explicar...culpada coitada....coisa de mãe.

22 de novembro de 2007

"palavriado" - série de imagens poemas


Nada que me tira do sério é sério o bastante. Seja bastante sério ou não.
O que me tira do sério me basta.

"palavriado"

Não gosto de nada abstrato. Adoro a madrugada.
Não sei dizer se a madrugada é abstrata mas não deve ser pois senão eu não gostaria dela. Existe alguma lógica na abstração? Na madrugada não.