Pode parecer ridícula para os homens esta mania de fazer as unhas, mas para nós mulheres é visceral, sentimo-nos peladas se a ponta de nossos dedos não estiverem devidamente lixadas e pintadas. O que varia de mulher para mulher é a cor do esmalte, e vez ou outra nos deparamos com o seguinte dilema: usar ou não cintilante?
O vermelho também é caso de polêmica, umas adoram, outras odeiam.
Outras questões que merecem citação por serem tão comuns no universo das manicures são: lixar ou esfoliar? O esmalte dos pés e das mãos serão os mesmos? Usar óleo secante ou ele dá bolinhas?
Vejam como é complexa uma simples ida ao salão. Além de termos que escolher entre tantas opções que nos são apresentadas ainda temos que tratar com indiferença o odioso nomes dos esmaltes: Gabriela, Tieta, paixão, meia de seda, Quero Beijar...
Confesso que às vezes me constrange ter que pedir: hoje quero o “Glamour Pink”. Quem em sã consciência acha irrelevante o nome dos esmaltes??? Quem é o cara (só pode ser homem) que passa seus dias inventando nomes esdrúxulos para os nada inúteis esmaltes??? Eu ainda hei de escrever um manifesto para os fabricantes mostrando o constrangimento que nós mulheres passamos toda a semana quando vamos ao salão. Será que já não é constrangedor o bastante nossas idas ao ginecologista, nossas visitas as depiladoras, fingindo naturalidade com as pernas arreganhadas? Mulheres de unhas pintadas uni-vos em nome do bom gosto. Vamos começar uma campanha para a mudança das alcunhas de nossos companheiros esmaltes.
E pra aumentar ainda mais minha ira contra os fabricantes destes cosméticos, fui à farmácia para comprar acetona e sem olhar muito peguei uma marca com o nome de “saramandaia”. O nome é horrível, mas não foi nada comparado ao slogan que vinha logo abaixo: “Acetona saramandaia, use e tenha uma vida mais feliz”. Alguém pode me explicar isso? Perdi meu dia inteiro pensando no motivo que leva alguém a escrever um slogan deste em um vidro de removedor de esmalte. Pensei muito, por vezes me deixo levar por questões essencialmente inúteis, até que veio a luz: é o cheiro dos produtos químicos que faz estes seres humanos chegarem a tal ponto de criatividade. Só pode ser isso, um bando de lunáticos cheirando químicos o dia inteiro e ao final são levados a uma sala, colocados em frente a um bloco de anotações e começam a fazer um brainstorm de nomes de esmaltes e slogans de acetona. Era óbvio, mas eu não via. Graças a Deus a verdade sempre aparece.
18 de fevereiro de 2008
15 de fevereiro de 2008
Nossos amigo Clóvis
Socorro!!!!!!!!!
Só pode ser macumba que fizeram pra me destruir, pra acabar de vez com minha paciência. Enterraram meu nome junto com um saco de cimento e agora as construções me perseguem. Em três anos foram 2 prédios sendo construídos ao lado da minha casa, uma reforma que nunca acaba no vizinho de cima, uma outra monumental ao lado do meu escritório.
Pra piorar tudo os pedreiros da construção ao lado de casa resolveram criar galinhas no canteiro de obras. Eu juro estar falando a verdade. Um galinheiro com direito a pintinhos piando o dia todo e um maldito galo que para não perder sua fama, insiste em cantar as 4 e meia da manhã, não sem antes dar uma sacolejada nas asas fazendo um barulho horrível.
Não, eu não moro no interior, mas na capital de um dos principais estados da principal região do Brasil.
No começo, quando ouvi os primeiros indícios das aves achei que era delírio. Depois pela janelinha do corredor do prédio avistei as primeiras galináceas a ciscar. Acreditei que elas deviam ter alguma função. Meu marido levantou a hipótese de ser por causa de possíveis cobras existentes no lote. Aceitei. Mas depois a família das galinhas começou a crescer e a coisa foi ficando insuportável. Até que em um belo domingo de sol, voltando de um final de semana no sítio, ao abrir a porta da área privativa de meu apartamento, me deparo com um exemplar masculino das ditas cujas, o mesmo que me acordou em diversas madrugadas.
Percebam o quão surreal é isso tudo: moro em Belo Horizonte, em um apartamento de um bairro classe média (deve ser isso), chego em casa domingo e tem um galo no meu quintal. “sopra que é farofa, chuta que é macumba” diria a sábia tia Bê. Não soprei e nem chutei. Fiquei com dó do bichinho e fui logo arrumar alguma coisa pra ele beliscar. Sr. galo, você aceita um drink? Sr. galo, você se incomodaria em não fazer mais cocô na minha cerâmica encerada? Será que poderia cantar um pouquinho mais tarde?
Meu filho mais velho logo tratou de dar nome ao bichinho: Clóvis.
Tinha um galo no meu quintal e agora a família inteira já se apegara a aquele ser penoso.
E como depois de todo domingo vem uma segunda feira, a segunda chegou e junto com ela o pedreiro da construção ao lado, dono do galo, ou melhor, dono do Clóvis.
_Nem vem moço, não vai levar o galo de jeito nenhum, você já está sem razão, pois criar galinhas em uma construção é um absurdo e ainda por cima deixar o bicho pular pro lado de cá, ficar sem comida o final de semana inteiro e agora vem dizer que quer ele de volta??? Pode tirar seu galinho da chuva que o Clóvis é nosso.
Não sei quem tinha a cara pior, se era o pedreiro, se era meu marido, pensando que eu tinha pirado, ou se era o Clóvis, coitado, alheio àquela disputa por sua pessoa.
É claro que meus argumentos não colaram e meu marido já estava doido pra despachar o penoso pra longe da nossa casa. E assim o Clóvis se foi. O brutamonte do pedreiro enfiou o coitado (o galo) num saco e picou a mula. Só restaram alguns milhos jogados no chão e a carinha triste da pequena dizendo: Mamãe, cadê o cocó???
Só pode ser macumba que fizeram pra me destruir, pra acabar de vez com minha paciência. Enterraram meu nome junto com um saco de cimento e agora as construções me perseguem. Em três anos foram 2 prédios sendo construídos ao lado da minha casa, uma reforma que nunca acaba no vizinho de cima, uma outra monumental ao lado do meu escritório.
Pra piorar tudo os pedreiros da construção ao lado de casa resolveram criar galinhas no canteiro de obras. Eu juro estar falando a verdade. Um galinheiro com direito a pintinhos piando o dia todo e um maldito galo que para não perder sua fama, insiste em cantar as 4 e meia da manhã, não sem antes dar uma sacolejada nas asas fazendo um barulho horrível.
Não, eu não moro no interior, mas na capital de um dos principais estados da principal região do Brasil.
No começo, quando ouvi os primeiros indícios das aves achei que era delírio. Depois pela janelinha do corredor do prédio avistei as primeiras galináceas a ciscar. Acreditei que elas deviam ter alguma função. Meu marido levantou a hipótese de ser por causa de possíveis cobras existentes no lote. Aceitei. Mas depois a família das galinhas começou a crescer e a coisa foi ficando insuportável. Até que em um belo domingo de sol, voltando de um final de semana no sítio, ao abrir a porta da área privativa de meu apartamento, me deparo com um exemplar masculino das ditas cujas, o mesmo que me acordou em diversas madrugadas.
Percebam o quão surreal é isso tudo: moro em Belo Horizonte, em um apartamento de um bairro classe média (deve ser isso), chego em casa domingo e tem um galo no meu quintal. “sopra que é farofa, chuta que é macumba” diria a sábia tia Bê. Não soprei e nem chutei. Fiquei com dó do bichinho e fui logo arrumar alguma coisa pra ele beliscar. Sr. galo, você aceita um drink? Sr. galo, você se incomodaria em não fazer mais cocô na minha cerâmica encerada? Será que poderia cantar um pouquinho mais tarde?
Meu filho mais velho logo tratou de dar nome ao bichinho: Clóvis.
Tinha um galo no meu quintal e agora a família inteira já se apegara a aquele ser penoso.
E como depois de todo domingo vem uma segunda feira, a segunda chegou e junto com ela o pedreiro da construção ao lado, dono do galo, ou melhor, dono do Clóvis.
_Nem vem moço, não vai levar o galo de jeito nenhum, você já está sem razão, pois criar galinhas em uma construção é um absurdo e ainda por cima deixar o bicho pular pro lado de cá, ficar sem comida o final de semana inteiro e agora vem dizer que quer ele de volta??? Pode tirar seu galinho da chuva que o Clóvis é nosso.
Não sei quem tinha a cara pior, se era o pedreiro, se era meu marido, pensando que eu tinha pirado, ou se era o Clóvis, coitado, alheio àquela disputa por sua pessoa.
É claro que meus argumentos não colaram e meu marido já estava doido pra despachar o penoso pra longe da nossa casa. E assim o Clóvis se foi. O brutamonte do pedreiro enfiou o coitado (o galo) num saco e picou a mula. Só restaram alguns milhos jogados no chão e a carinha triste da pequena dizendo: Mamãe, cadê o cocó???
1 de fevereiro de 2008
Nervos nem tão de aço

Um dia o meu filho Tomás ,devia ter uns 4 anos, acordou chorando e quando fui acudi-lo me contou que tinha tido um pesadelo horrível. Custei a convencê-lo a contar dizendo que ia se aliviar se falasse. Ele então me disse que um ser monstruoso o perseguia, “um moço todo coberto de limão, mamãe”. Não deu, tive um acesso de riso e ele ficou realmente bravo comigo, ele ali morrendo de medo e eu rindo. Tá bem, fui cruel, mas não consegui me segurar. Passada a crise comecei a pensar nos medos que eu tinha na infância (nada psicanalítico – entendam bem), medos tão aparentemente banais quando este de meu menino, mas que pra mim tinham o tamanho do mundo. Cobria de pavor todos os cantos de meu quarto e evaporavam debaixo da minha cama.
Lembrei que eu tinha pânico do Paulinho da Viola, sempre tinha pesadelos com ele. Meus pais tinham um disco dele em casa (Nervos de aço) e a capa me fazia tremer de medo. Liguei a capa a pessoa dele e aí todas as vezes que ele aparecia na televisão eu fechava os olhos. Sem exageros, meus pesadelos eram recheados de paulinhos da viola.
Lembrei-me também de um medo politicamente incorreto: tinha verdadeiro horror de travestis. Explico-me: minha infância foi nos anos 80, início da AIDS e eu ficava vendo o noticiário e sempre ligavam a doença aos gays e eu, criança que era, ligava os gays aos travestis. Este medo passou como também já superei o trauma com o Paulinho da viola e por sinal gosto muito do “Nervos de Aço”.
Tinha medo de chinelo virado, de pio de coruja e de andar de costas. Uma moça que trabalhou lá em casa falava que chinelo virado era má sorte, que pio de coruja era mau agouro e que se agente andasse de costa a mãe morria. Que moça cruel, mal sabe ela que ate hoje desviro todos os chinelos que encontro.
Sei que são medos exdrúxulos, mas tem a desculpa de terem sido criados pela criança que eu era, o pior são os pavores estranhos que desenvolvemos ao longo de nossa vida. Conheci uma pessoa (eu juro estar falando a verdade) que tem medo de ruivos, só os naturais, os de cabelo pintado ela suporta. Tem outra que não pode ver um anão, entra em paranóia.
Fui rir do meu filho e de seu monstro coberto de limão e acabei chegando no Paulinho da viola e nos ruivos. Me perdi no mundo dos medos idiotas que até esqueci que tenho dentista (alguém por aí não tem medo destes?????).
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