Socorro!!!!!!!!!
Só pode ser macumba que fizeram pra me destruir, pra acabar de vez com minha paciência. Enterraram meu nome junto com um saco de cimento e agora as construções me perseguem. Em três anos foram 2 prédios sendo construídos ao lado da minha casa, uma reforma que nunca acaba no vizinho de cima, uma outra monumental ao lado do meu escritório.
Pra piorar tudo os pedreiros da construção ao lado de casa resolveram criar galinhas no canteiro de obras. Eu juro estar falando a verdade. Um galinheiro com direito a pintinhos piando o dia todo e um maldito galo que para não perder sua fama, insiste em cantar as 4 e meia da manhã, não sem antes dar uma sacolejada nas asas fazendo um barulho horrível.
Não, eu não moro no interior, mas na capital de um dos principais estados da principal região do Brasil.
No começo, quando ouvi os primeiros indícios das aves achei que era delírio. Depois pela janelinha do corredor do prédio avistei as primeiras galináceas a ciscar. Acreditei que elas deviam ter alguma função. Meu marido levantou a hipótese de ser por causa de possíveis cobras existentes no lote. Aceitei. Mas depois a família das galinhas começou a crescer e a coisa foi ficando insuportável. Até que em um belo domingo de sol, voltando de um final de semana no sítio, ao abrir a porta da área privativa de meu apartamento, me deparo com um exemplar masculino das ditas cujas, o mesmo que me acordou em diversas madrugadas.
Percebam o quão surreal é isso tudo: moro em Belo Horizonte, em um apartamento de um bairro classe média (deve ser isso), chego em casa domingo e tem um galo no meu quintal. “sopra que é farofa, chuta que é macumba” diria a sábia tia Bê. Não soprei e nem chutei. Fiquei com dó do bichinho e fui logo arrumar alguma coisa pra ele beliscar. Sr. galo, você aceita um drink? Sr. galo, você se incomodaria em não fazer mais cocô na minha cerâmica encerada? Será que poderia cantar um pouquinho mais tarde?
Meu filho mais velho logo tratou de dar nome ao bichinho: Clóvis.
Tinha um galo no meu quintal e agora a família inteira já se apegara a aquele ser penoso.
E como depois de todo domingo vem uma segunda feira, a segunda chegou e junto com ela o pedreiro da construção ao lado, dono do galo, ou melhor, dono do Clóvis.
_Nem vem moço, não vai levar o galo de jeito nenhum, você já está sem razão, pois criar galinhas em uma construção é um absurdo e ainda por cima deixar o bicho pular pro lado de cá, ficar sem comida o final de semana inteiro e agora vem dizer que quer ele de volta??? Pode tirar seu galinho da chuva que o Clóvis é nosso.
Não sei quem tinha a cara pior, se era o pedreiro, se era meu marido, pensando que eu tinha pirado, ou se era o Clóvis, coitado, alheio àquela disputa por sua pessoa.
É claro que meus argumentos não colaram e meu marido já estava doido pra despachar o penoso pra longe da nossa casa. E assim o Clóvis se foi. O brutamonte do pedreiro enfiou o coitado (o galo) num saco e picou a mula. Só restaram alguns milhos jogados no chão e a carinha triste da pequena dizendo: Mamãe, cadê o cocó???
15 de fevereiro de 2008
1 de fevereiro de 2008
Nervos nem tão de aço

Um dia o meu filho Tomás ,devia ter uns 4 anos, acordou chorando e quando fui acudi-lo me contou que tinha tido um pesadelo horrível. Custei a convencê-lo a contar dizendo que ia se aliviar se falasse. Ele então me disse que um ser monstruoso o perseguia, “um moço todo coberto de limão, mamãe”. Não deu, tive um acesso de riso e ele ficou realmente bravo comigo, ele ali morrendo de medo e eu rindo. Tá bem, fui cruel, mas não consegui me segurar. Passada a crise comecei a pensar nos medos que eu tinha na infância (nada psicanalítico – entendam bem), medos tão aparentemente banais quando este de meu menino, mas que pra mim tinham o tamanho do mundo. Cobria de pavor todos os cantos de meu quarto e evaporavam debaixo da minha cama.
Lembrei que eu tinha pânico do Paulinho da Viola, sempre tinha pesadelos com ele. Meus pais tinham um disco dele em casa (Nervos de aço) e a capa me fazia tremer de medo. Liguei a capa a pessoa dele e aí todas as vezes que ele aparecia na televisão eu fechava os olhos. Sem exageros, meus pesadelos eram recheados de paulinhos da viola.
Lembrei-me também de um medo politicamente incorreto: tinha verdadeiro horror de travestis. Explico-me: minha infância foi nos anos 80, início da AIDS e eu ficava vendo o noticiário e sempre ligavam a doença aos gays e eu, criança que era, ligava os gays aos travestis. Este medo passou como também já superei o trauma com o Paulinho da viola e por sinal gosto muito do “Nervos de Aço”.
Tinha medo de chinelo virado, de pio de coruja e de andar de costas. Uma moça que trabalhou lá em casa falava que chinelo virado era má sorte, que pio de coruja era mau agouro e que se agente andasse de costa a mãe morria. Que moça cruel, mal sabe ela que ate hoje desviro todos os chinelos que encontro.
Sei que são medos exdrúxulos, mas tem a desculpa de terem sido criados pela criança que eu era, o pior são os pavores estranhos que desenvolvemos ao longo de nossa vida. Conheci uma pessoa (eu juro estar falando a verdade) que tem medo de ruivos, só os naturais, os de cabelo pintado ela suporta. Tem outra que não pode ver um anão, entra em paranóia.
Fui rir do meu filho e de seu monstro coberto de limão e acabei chegando no Paulinho da viola e nos ruivos. Me perdi no mundo dos medos idiotas que até esqueci que tenho dentista (alguém por aí não tem medo destes?????).
29 de janeiro de 2008
7 de janeiro de 2008
Auto ajuda (trocadilho infame)
Quem tem filhos sabe que viagem de férias não é precisamente o melhor programa para pais que trabalham pracaramba e que precisariam descansar nesta parte do ano. Tudo começa dentro do carro...o que fazer para que uma criança fique entredida durante 8, 10 horas ????
Tenho várias brincadeiras que costumeiramente faço com meus pequenos (não vou citar uma por uma senão vai parecer o "mothern"). Além destas já previamente preparadas sempre me lembro de bobagens sem tamanho, coisas que eu inventava na infância, frases engraçadas, trocadilhos absurdos...e normalmente estas surpresas da memória fazem muito mais sucesso que os velhos pasatempos de automóvel.
Uma destas lembranças foi a seguinte frase: "Marechoto florial peixano despinguelou na escorrega e milagrou escaposamente." Desafiei meu filho a consertar a frase e é claro criamos várias outras, hilárias:
"puxa xixou ja naca" - "Fernique Herdoso Carnando catou pegapora e cançou incoçavelmente."
Podem acreditar que a brincadeira funcionou, tantou que conseguiu entreter a criança aqui até hoje......
Tenho várias brincadeiras que costumeiramente faço com meus pequenos (não vou citar uma por uma senão vai parecer o "mothern"). Além destas já previamente preparadas sempre me lembro de bobagens sem tamanho, coisas que eu inventava na infância, frases engraçadas, trocadilhos absurdos...e normalmente estas surpresas da memória fazem muito mais sucesso que os velhos pasatempos de automóvel.
Uma destas lembranças foi a seguinte frase: "Marechoto florial peixano despinguelou na escorrega e milagrou escaposamente." Desafiei meu filho a consertar a frase e é claro criamos várias outras, hilárias:
"puxa xixou ja naca" - "Fernique Herdoso Carnando catou pegapora e cançou incoçavelmente."
Podem acreditar que a brincadeira funcionou, tantou que conseguiu entreter a criança aqui até hoje......
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